quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MENOS BUROCRACIA, MAIS COMUNICAÇÃO E GESTÃO ESTRATÉGICA PARA UM BOM GOVERNO


 A qualidade dos serviços públicos e o foco no direito do cidadão, como estratégia de governo, para minimizar custos, diminuir o retrabalho e o desperdício de recursos materiais e a insatisfação do consumidor, deveria nortear a ação de qualquer governante.

Uma ação estratégica de governo, na atualidade, requer a otimização dos recursos disponíveis, de forma a garantir uma boa prestação de serviços e dar condições ao governo de melhor aproveitar o potencial de recursos à sua disposição.

 
Para tanto, a principal ação estratégica de um governante, no que se refere à gestão dos órgãos públicos sob seu comando, é definir as prioridades de seu governo, e a partir dessa decisão, que deve estar embasada nas necessidades da população e na sua capacidade de executar as políticas públicas propostas, estabelecer um planejamento orçamentário detalhado e capaz de prover o atendimento às clientelas internas (servidores) e externa (população).

 
Um governante competente, necessariamente, precisa compor sua equipe com profissionais tecnicamente capacitados e comprometidos cívica e politicamente com os objetivos do governo.

Isto significa que os membros das equipes - de todos os órgãos de governo - devem estar submetidos a uma autoridade capaz de delegar, dar feedback e avaliar o desempenho do pessoal sob seu comando.

 Cabe ao gabinete do governante gerenciar o desempenho de todo o governo, para avaliar se os recursos estão sendo aplicados corretamente e se o atendimento à população está compatível com a missão da organização e  se está gerando satisfação ao cidadão.

 O combate a burocracia excessiva, gerada sobretudo por órgãos de controle, com cultura gerencial burocrática e reativa, precisa se tornar alvo de ação estratégica, por parte do governador.

É necessário priorizar a gestão interna, otimizando a aplicação dos recursos materiais e principalmente diminuindo  o tempo gasto na relação do servidor com seus pares e com o cidadão.

 
Essa melhoria terá impacto significativo no custo da máquina pública, no aumento da satisfação do cidadão, que demanda serviços públicos mais bem prestados e ensejará a diminuição do aparelhamento político fisiológico dos órgãos de governo.

 A diminuição da burocracia exigirá ações gerenciais de articulação entre  o executivo e os demais órgãos de controle e o Ministério Público, para definir linhas de ação  capazes de facilitar a gestão e não engessar ainda mais o desempenho do governo.

 Para tanto, é fundamental que a integração entre os órgãos de governança seja implementada com tecnologia de informação e comunicação de última geração e que os servidores sejam treinados e avaliados durante todo o período de governo.

  Um dos maiores problemas de governança está na alocação inadequada e fisiológica de pessoas não qualificadas e não comprometidas com os objetivos do governo - em áreas de atendimento ao público (o que é verificável em muitas áreas do governo).

 E na delegação mal feita a gestores, que – via de regra, desconhecem os objetivos do governo e tampouco têm preocupação com a satisfação do usuário dos serviços públicos.

Estes problemas gerenciais são basicamente decorrentes da falta de uma liderança e de estruturação de ações administrativas que cristalizem a vontade política do líder.

Explico: pouco adianta um líder carismático - que tenha influência sobre a máquina de governo, se esta não estiver preparada adequadamente para transformar seu carisma em ação, por meio de políticas públicas efetivas e eficazes.

 Geralmente os gabinetes civis dos governos agem como coordenadores das ações internas do governo, mas nem sempre produzem o resultado esperado, eventualmente porque a autoridade do chefe da casa civil nem sempre é aceita pelos demais membros das outras áreas de governo.

 E também porque a liderança precisa ser exercida na base, onde o cidadão se relaciona com o Estado. O líder precisa estar presente, se não é possível fisicamente, sua forma de governar deve expressar sua liderança.

 Os problemas de mal atendimento ao público decorre, em grande parte, da lógica de coalizão que é imposta aos governos para ter maioria no parlamento e outros compromissos fisiológicos do próprio governador.  E também da estabilidade de vários servidores que não tem interesse em trabalhar com competência e nem se subordinam à liderança da área, pois não são avaliados.

Essa forma de governo tem produzido muitos problemas de desempenho, prejuízos e insatisfação social. É hora de mudar.

A composição das áreas estratégicas do governo e daquelas que têm relação direta com o público, devem ser priorizadas e o governante deve estar atento aos seus desempenhos, pois elas produzirão reflexos positivos ou negativos na imagem do governo e consequentemente do governante.

 Os governantes, ao longo dos mandatos, tendem a priorizar obras que produzam supostamente mais visibilidade e popularidade ao chefe de governo, mas costumam deixar a descoberto áreas de grande impacto sobre a sociedade, como a segurança pública, a saúde, a mobilidade, a questão hídrica, o saneamento etc.

 Isto se constitui numa grave miopia estratégica, porque essas áreas se tiverem uma boa gestão e o governo souber usar as milionárias verbas publicitárias à sua disposição, poderá utilizá-las para informar e educar a população, por meio de campanhas educativas e não por intermédio do recurso rasteiro de ações publicitárias falaciosas; que fazem apenas proselitismo publicitário e não produzem efeito sob o comportamento da sociedade.

Um bom governante saberá priorizar o uso da verba publicitária para se relacionar com a sociedade e não para atender interesses econômicos, nem pagar dívidas de campanha.
Temos uma sociedade mais esclarecida, menos suscetível a ações populistas e demagógicas. Nossa população está cada vez mais descrente da ação dos políticos, cujas promessas não são cumpridas da forma que são feitas.

 
O uso correto da estrutura de comunicação necessariamente tem que ter conotação estratégica, e não ser apenas reativa e informativa.
Cabe à comunicação agir de forma a antecipar o debate, promovendo discussões e utilizando todos os recursos que a tecnologia de informação e comunicação e redes sociais variadas dispõem, para promover a interação entre governo e sociedade.

Vivemos uma nova etapa no processo político, no qual o cidadão está mais atento, mais crítico e tem uma forma de participação no processo ainda não totalmente decodificada pelos governantes.

Portanto, a área de comunicação social do governo não pode ser apenas de assessoria de imprensa e nem de cuidar só da imagem do governante.

Precisa aprofundar suas ações nas redes sociais, prospectar problemas, para antecipar a ação da necessária área de gestão de crises, que nem todo governo mantém, (outro equívoco gerencial).

 O gabinete de crise tem que ser permanente, porque governar significa, antes de tudo resolver problemas e enfrentar crises; uma vez que é necessário aplicar a lei (nem sempre justa, nem democrática) e atender demandas dos grupos de pressão, que são cada vez mais organizados e capazes de interferir nos processos decisórios. Estes têm grande poder de mobilização social, porque dominam bem o uso das redes sociais.

Síntese:

O governante deverá:

·         priorizar sua gestão de forma a minimizar o desperdício, o retrabalho e a insatisfação social;

·        compor suas equipes com líderes qualificados e comprometidos com os objetivos de seu governo. (sem cair nas armadilhas do fisiologismo, da política de coalização e nem em compromissos não republicanos).

 
·        implementar uma área específica, no seu gabinete, com autoridade para acompanhar o desempenho das demais áreas, com caráter eminentemente técnico e gerencial, para medir o desempenho, identificar problemas estruturais e entraves funcionais ( disputas internas, sabotagens, má vontade, incompetência etc), e propor soluções em tempos hábeis .

 

   A ação da comunicação social deverá ser ampliada, para fortalecer o relacionamento com a sociedade, por meio da ação das redes sociais e da prospecção de problemas, antes que se avolumem e tornem reativa a ação do poder público, que sempre fica na defensiva, em relação à pressão dos grupos de interesses.

     O  uso estratégico da milionária verba de publicidade deve ser contemplado, com foco em campanhas educativas.

Ao priorizar a gestão profissionalmente economizará recursos e tempo, além de diminuir a máquina, diminuindo gastos e facilitando a gestão de pessoas.

Essas são algumas das necessárias posturas de um governante para os tempos atuais, no País.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

CRISE INSTITUCIONAL E PRIVILÉGIOS

O embate entre procuradores e políticos e seus aliados no STF tem causado sérios prejuízos ao país. Isto compromete profundamente as investigações contra notórios e reincidentes corruptos que não só comandam a estrutura política nacional, como se articulam com setores criminosos da iniciativa privada. E esses, por sua vez têm laços estruturais com o Judiciário.
Alguns analistas alegam que essa crise institucional é boa para o país e para promover o aperfeiçoamento de nossas instituições, fortalecimento da democracia. Há quem discorde. E com razão. Pois quando se analisa a dinâmica desse conflito institucional, verifica-se com nitidez um jogo para manter privilégios e preservar interesses criminosos de setores  notoriamente corruptos, que se mantêm no poder há décadas.
Portanto, não há, de fato, o desenvolvimento institucional. Há, sim, um grave embate jurídico e político no qual quem mais fatura são os grandes escritórios de advocacia que orbitam interesses supremos. Para usar uma metáfora. E que utilizam de todos os artifícios e artimanhas jurídicas que o próprio sistema político produziu historicamente para preservar a manutenção de interesses dos poderosos.
O argumento de prisões preventivas alongadas, expresso pelo comandante jurídico desse processo de proteção aos criminosos, colocado já há algum tempo, informava que havia uma articulação poderosa a caminho para libertar condenados em primeira instância.
É sabido que o Supremo deverá prolongar o processo de análise e julgamento desses poderosos e bilionários corruptos. O STF tem suas razões e, mais, inegável sobrecarga de trabalho.
O que é inaceitável é a manutenção de privilégios de criminosos mais nocivos à sociedade e à economia nacionais, quando há milhares de presos comuns esperando, em situação de prisão provisória, em primeira condenação.
Numa democracia verdadeira, privilégios e deveres devem ser mantidos de forma equânime. E não desigual, como acontece por aqui.
Recentemente o ex presidente do STF, que presidiu o julgamento do Mensalão, irmão mais velho do Petrolão, mas filhos do mesmo pai e mesma mãe, Ayres Britto, afirmou que os criminosos políticos e seus aliados na iniciativa privada são muito mais nocivos e perigosos do que as grandes facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.
Causa espécie e até asco assistir esse espetáculo trágico de proteção a criminosos, em detrimento do interesse social, da moral, da ética e da preservação de valores cívicos e republicanos.
Infelizmente, quem poderia investigar e mudar o judiciário seria o Congresso, que está cada vez mais sem força e submisso a grupos que controlam os partidos com mão de ferro, impondo sua vontade ao chamado baixo clero. E nada mudará.
A reforma política deverá avançar mais rapidamente ainda, agora que chefões voltarão para suas mansões com tornozeleiras eletrônicas de última geração, leves e belas, como uma jóia. Receberão em casa cabelereiros e personal trainers, além de aproveitarem para usar privadas verdadeiras, ao invés do buraco no chão.
Usarão sua influência para aprovar, já para as próximas eleições, a lista fechada, que lhes garantirá a impunidade-imunidade; o fundo eleitoral, verba bilionária, que alimentará a gana dos controladores dos grandes partidos; a cláusula de barreira, para submeter os pequenos à vontade dos grandes.
E ainda, muito provavelmente, um redesenho partidário, para fugir de multas milionárias que a justiça eleitoral tende a aplicar, como já fizera com o PP.
O argumento de que há muitos partidos, sem identidade programática é falso, pois nenhum tem programa verdadeiramente ideológico. A justificativa é o controle do mercado eleitoral utilizando dinheiro público, já que a grande financiadora, que nunca gastou um centavo de seu caixa próprio, o maior partido do país , o da Odebrecht, está sem condições de comprar mandatos.
Teremos muitas decepções ainda, mas o Brasil continua entorpecido, não se sabe até quando!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

REFORMAS - AVANÇOS E RETROCESSOS

O processo político nacional tem se caracterizado por crises crônicas, com altos e baixos, muitas idas e vindas, mas sem resultados práticos e nada de objetivo.

São muitas questões que estão sendo debatidas, com intensidade e interesse variados. Como a reforma previdenciária, a reforma política e a reforma tributária, além de outros temas menos relevantes para a sociedade, mas importante para os parlamentares, como a discussão sobre o foro privilegiado, e sobre o abuso de autoridade.

Temas relevantes como a reforma da previdência marcaram muitas discussões na comissão especial. Não houve consenso.  A proposta do governo, além de ser dura e até radical, penaliza o trabalhador comum, mas favorece corporações do setor público e os militares, principalmente.

Em política, as negociações, para serem bem sucedidas, têm que ser mais flexíveis e a lógica do ganha/perde precisa ser bem digerida: quem perde agora, sabe que pode ganhar lá na frente, e vice versa. Não é o que o governo está propondo. 

No senado, haverá, tudo indica, uma CPI da previdência, que dará palco e visibilidade a políticos de oposição à proposta e que podem se cacifar para se reelegerem em 2018.

Mantida essa forma de negociação, o governo não conseguirá aprovar sua proposta. O grande mérito dessa questão  foi a colocação do problema previdenciário em discussão com o parlamento e com a sociedade. Evidentemente,  a previdência social é fundamental para a paz social e a garantia da manutenção de direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores.

Mas enquanto não se gerar emprego, não será possível pensar na manutenção desse modelo previdenciário. O que significa que a estabilidade futura depende do crescimento econômico no presente.

 Como a economia não reage de forma suficiente para conter o desemprego, do ponto de vista estratégico, é inviável essa reforma. Necessária, mas inviável, nesse momento, com essas condições.

Haverá muito discussão. O debate tem seu mérito, trará à tona a realidade do sistema previdenciário brasileiro.  O governo argumenta que o sistema está em  estado pré-falimentar, outros setores alegam que é problema de gestão, que a previdência não está quebrada. Falta coragem política para fazer reformas estruturais, pelo jeito.

Espera-se  que propostas factíveis sejam apresentadas, analisadas com responsabilidade e decisões corretas sejam tomadas e implementadas, claro.


sexta-feira, 24 de março de 2017

DESAFIOS DA AUTO LIDERANÇA



Atualmente, muitas pessoas fazem uma reflexão filosófica profunda, sobre questões existenciais e profissionais. Muitas vezes, essas pessoas sentem uma sensação difícil de explicar, não é angústia, nem ansiedade.
Apenas sentem que precisam mudar sua agenda existencial, sua rotina  - e até ficar à deriva, eventualmente, ou ligar o dane-se, por algum tempo, como dizem alguns argutos observadores.
Realmente, precisamos relaxar um  pouco e avaliar nossas conquistas com olhar distanciado, sem muita autocrítica ácida e exigente, como costumamos fazer, em relação a nós mesmos.
Com o passar do tempo, é necessário analisar como  percebemos a realidade, como vemos as coisas à nossa volta. Muitas vezes, não conseguimos entender a complexidade dos processos existenciais, nem explicar para nós mesmos, porque cada pessoa tem uma trajetória diferente e intensa. Mesmo que, aparentemente, seja uma pessoa que rotulamos como vazias, sem noção, sem futuro. Mas que, como nós, tem vinte e quatro horas à sua disposição.
  Os conflitos existenciais nos levam, cada vez mais, a exigir de nós mesmos, mais intensidade. E a nos cobrar mais sentido para a vida. Ainda que esse sentido seja focado em mais consumo de bens materiais, em mais conquistas, em mais realizações em mais reconhecimento, em mais admiração, em justificativas variadas para todas nossas decisões, ou omissões.
Na prática, o que a vida oferece são muitas oportunidades para realizar projetos pessoais, mas cobra definição de objetivos e planejamento de ações.  Custa caro, não deixar a vida nos levar e sim dirigir nossa caminhada rumo a objetivos, sonhos, desejos, realizações. Ser autônomo existencial é um grande desafio de  auto liderança.  Somente alguns conseguem.
Ouvimos muito pessoas instruídas falarem sobre liderança. E isso é importante, pois aprendemos bastante com os mais experientes e com os que estudam o assunto.
Mas – sempre existe um porém -, o que importa mesmo, é como percebemos a vida. 
A maioria das pessoas estuda e segue a trilha programada pelas instituições e pelas autoridades, quer sejam os pais,  o Estado, ou organizações sociais.
O conflito maior  está localizado precisamente na não aceitação de modelos pré-determinados, de scripts ultrapassados. E há um grande vazio existencial, um verdadeiro oceano de dúvidas à frente.
 Mas as oportunidades de construção de novas trilhas e pavimentação de caminhos inéditos também são imensas.
O problema está exatamente no requisito básico da auto liderança, que é ter autonomia e consciência de que nos momentos de tensão, de  mudanças de caminhos, é preciso visualizar o futuro e construí-lo passo a passo, com determinação e inteligência.
Há, portanto, um preço a ser pago. É preciso ouvir a consciência, a pulsão do coração e abrir os olhos para as oportunidades e fazer diferente, sem medo de errar, mesmo correndo risco de errar. A possibilidade de acertar é maior do que as alternativas negativas. Viver atualmente é tão desafiador como foi há séculos passados, mas hoje temos mais informação, mais tecnologias, mais inteligência aplicada, mais alternativas para escolher caminhos e fazer um percurso existencial inovador e completamente diferente dos outros. Lidere a si próprio!
Essa é a recomendação da vida para  todos nós.



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