domingo, 18 de fevereiro de 2018

REDES SOCIAIS E OPINIÃO PÚBLICA


 I
Atualmente, é possível observar dois processos sociais que se chocam e tendem a promover uma transição cultural interessante, sobretudo no que se refere à cultura política dominante.
Por um lado, há o comportamento do cidadão que é midiatizado de forma intensiva e volátil, superficial mesmo, principalmente pelo uso intenso das redes sociais, com destaque para a internet e seus diversos aplicativos, sobressaindo-se o facebook   e o whats app. Neles são colocadas opiniões de forma quase instantânea, ação movida por impulsos digitais, telemáticos, pode-se dizer. 
A verdade é que a formação de opinião nas redes sociais decorre da capacidade que o indivíduo tem de registrar, principalmente, imagens, slogans, frases de efeito, registrá-las mentalmente e fazer a devida reflexão intelectual.
 As mudanças que ocorrem no universo cognitivo humano, no ambiente digital são - tudo indica - profundas, mas ainda não totalmente decodificadas pelos estudiosos desse novo fenômeno social, que é a formação de opinião a partir do acesso a esse ambiente.
Sabe-se que a atenção do indivíduo tem um valor inestimável no universo digital. O cérebro humano  é capaz de registrar incontáveis informações, de todo tipo; mas não há, ainda, um sistema de medição que permita aferir qual o impacto real desses estímulos informacionais no processo de decodificação das mensagens registradas. Os estudos de neuromarketing e de outras áreas da neurociência desenvolvem estudos nessa área do conhecimento.
O processo intelectual tradicional aplicado à narrativa das redes sociais exige atenção na leitura, para decodificar melhor as mensagens - e requer pesquisa e análise para entender o processo e o sentido das mensagens veiculadas na velocidade e ubiquidade das redes sociais. Além de capacidade para entender  a percepção simbólica e a linguagem interpretativa e narrativa dos inúmeros  grupos específicos, com os mais variados matizes ideológicos e interesses, que navegam nos oceanos digitais.
Esse fenômeno torna-se muito evidenciado em momentos de discussão sobre temas relevantes para a sociedade e para a política, sobretudo.  E esse traço cultural de usar as redes sociais e seus aplicativos revelam um tipo de comportamento social e político diferenciado, mas que não necessariamente leva à formação de uma opinião consistente, mas permite, no entanto, pela quantidade de replicações,  caráter viral, amplificar a ressonância das mensagens e a captura instantânea da atenção de incontáveis pessoas, que acessam a esses mecanismos midiáticos e assimilam subconscientemente muitas dessas mensagens.
Esse processo induz a um tipo de comportamento político que é facilmente manipulável, porque tem a capacidade de massificar mensagens de forma individualizada. Ou seja, o indivíduo recebe de forma bem particular a pressão das mensagens, geralmente na forma de imagens, micro vídeos, frases de efeito e slogans, que se prestam mais a induzir o indivíduo a tomar uma posição, a favor ou contra, mas nem sempre com base em argumentos consistentes.
Essa narrativa é muito visível nas tentativas de construir ou desconstruir imagens de personalidades públicas. Esse tipo de comportamento, no entanto tem suas vantagens, pois as mensagens veiculam numa velocidade incontrolável, pela “viralização” e pela massificação customizada, para utilizar uma expressão do marketing digital.
A imagem pública, a reputação, as práticas e exemplos, positivos e negativos, tornaram-se importantes elementos nessa narrativa. O impacto negativo sobre as personalidades pode ser altamente prejudicial, porque desconstrói imagens públicas construídas durante longo período, com outras ferramentas comunicativas e processos gerenciais.
A reconstrução de uma imagem no mundo digital, sobretudo de personalidades e marcas de empresas e de produtos, tornou- se um desafio difícil para os novos gestores desses processos, por conta sobretudo da “viralização” e do caráter ubíquo. E isso no jogo político é nefasto, pois atinge a opinião pública com a força incontrolável da mídia digital e sua capacidade de irradiar influência instantânea.
A vantagem desse processo é que se fatos positivos, ações corretas e imagens públicas decentes se mantiverem na mídia digital, levam uma vantagem profunda na construção de um processo relacional de aceitação social e pública.
Portanto, as mídias digitais tem grande valor para a construção de uma cidadania digital, mas como instrumento, ou conjunto de ferramentas tecnológicas, que requerem bons conteúdos para produzirem os efeitos transformadores que a tecnologia, por si só, não proporciona.



REDES SOCIAIS E OPINIÃO PÚBLICA II

A segunda estrutura social desse embate conceitual e até histórico é a cultura política tradicional e ainda dominante.
Ela tem mantém seus traços oligárquicos, clientelísticos, fisiológicos, corporativos, corruptos e seus representantes, historicamente, não se preocuparam com os interesses sociais, na prática; não obstante o discurso populista ter predominado, ao longo de nossa história.
Os processos de manipulação das massas sempre se pautaram pelo controle do acesso à boa informação. , Considera-se boa informação aquela que auxilia o indivíduo a decidir a partir da análise crítica, que começa por entender o que está em jogo nas disputas políticas; quem ganha e quem perde, o que? Como funciona a estrutura de poder? Qual o meu papel, minha função nesse processo? 
Por isso, o processo de manipulação política e social começa pelo controle dos sistemas educacionais, passa pelos sistemas de comunicação, pelo controle do acesso aos recursos públicos gerados pela poupança da sociedade, mediante impostos, taxas, multas  e confiscos variados.
E hoje vivemos um embate estrutural. A internet ainda é um universo livre e incontrolável no que tange ao acesso a informação, apesar de termos, no Brasil,  uma internet de péssima qualidade, muito cara  e de difícil acesso para a maioria da população.
Mas os movimentos sociais que antecederam a Copa das Confederações, em 2014, mostraram que a sociedade, que maioria - entre os mais jovens - eram midiatizados, mas não necessariamente politizados; apesar de muitas reivindicações serem justas e necessárias para a construção de uma nação mais solidária e equânime.
Alguns estudos de ilustres sociólogos, como o  professor Pedro Demo, revelam, no entanto, que o brasileiro ainda padece de um déficit de cidadania. Suas obras Cidadania Pequena e Cidadania Menor, ambas dos anos 2000, constatam um traço característico de nossa sociedade: somos mobilizáveis facilmente e também facilmente desmobilizáveis.
  Basta lembrarmos-nos de alguns exemplos: 1. A crise do apagão, no governo FHC ainda. O governo conclamou a população a mudar seu comportamento e poupar, a população atendeu a solicitação e poupou. Pagou caro por isso, pois o governo aumentou impostos para manter o lucro das distribuidoras, em detrimento do interesse popular.
2. Crise de 2013/14, milhões de brasileiros foram às ruas reivindicando melhoria dos serviços públicos, o governo respondeu alegando que era preciso uma reforma política e o que aconteceu foi a piora dos serviços públicos e o aumento de tarifas e a imensa insatisfação social.
3. O favorecimento dos cartórios, serviços essenciais para a população, que é submetida ao jugo cartorial para realizar quase todo tipo de transações e a Câmara aprova aumentos estratosféricos para os cartórios, em detrimento das necessidades e condições da população.
E aqui está a essência desse embate estrutural: a população acessa as redes sociais, aos aplicativos e protesta, dissemina viralmente seu descontentamento, mas não se mantém mobilizada para acompanhar o processo decisório, que quase sempre favorece ao poder econômico.
As oligarquias de direita e de esquerda se tornam aliadas nesses momentos e se submetem ao poder do sistema financeiro; e quem recebe todo o impacto negativo é o cidadão, na forma de aumento de impostos contribuições compulsórias  e precarização dos serviços públicos.
 Basta olharmos a qualidade da saúde, da educação, dos transportes e da segurança pública, que em 2013 foram alvo de grandes reivindicações e em 2017 só pioraram em qualidade e aumentaram em custos sociais e financeiros, gerando enorme insatisfação social.
A discussão em torno da representatividade política -  nesse contexto de crise e transformação social no Brasil e no mundo, merece uma atenção especial: por um lado temos: inovações  tecnológicas fantásticas. São soluções que a tecnologia oferece, mas somente num determinado nível, porque do ponto de vista educacional e político não há esforços institucionais significativos, tampouco partidário, nem social, para mudar a lógica da manipulação popular, tanto pela direita como pelas esquerdas, que convergem em submissão ao sistema financeiro e à lógica clientelista e fisiológica de sempre.
Basta olharmos as operações policiais em curso, o jogo do judiciário atual, a ação dos partidos, dos escritórios de advocacia,  para entendermos bem esse processo de manipulação e de maquiagem da realidade.
 A carência maior é de mobilização permanente da sociedade para pressionar o Estado a promover uma discussão profunda, via Congresso Nacional, com toda sua estrutura partidária, que não consegue inovar e nem incorporar novas práticas, novas bandeiras sociais e políticas, na prática; embora no discurso apareçam novos sofismas.
E necessário acontecer uma discussão profícua sobre o futuro Brasil. Seremos uma nação verdadeira, ou permaneceremos esse amontoado de gente indignada e perplexa frente às transformações que a tecnologia oferece e as demandas sociais, econômicas e políticas que se apresentam a todos nós?
Essa é a essência, a meu ver, de uma representatividade política real, efetiva e eficaz, capaz de promover as transformações necessárias para enfrentar os desafios do século XXI.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MENOS BUROCRACIA, MAIS COMUNICAÇÃO E GESTÃO ESTRATÉGICA PARA UM BOM GOVERNO


 A qualidade dos serviços públicos e o foco no direito do cidadão, como estratégia de governo, para minimizar custos, diminuir o retrabalho e o desperdício de recursos materiais e a insatisfação do consumidor, deveria nortear a ação de qualquer governante.

Uma ação estratégica de governo, na atualidade, requer a otimização dos recursos disponíveis, de forma a garantir uma boa prestação de serviços e dar condições ao governo de melhor aproveitar o potencial de recursos à sua disposição.

 
Para tanto, a principal ação estratégica de um governante, no que se refere à gestão dos órgãos públicos sob seu comando, é definir as prioridades de seu governo, e a partir dessa decisão, que deve estar embasada nas necessidades da população e na sua capacidade de executar as políticas públicas propostas, estabelecer um planejamento orçamentário detalhado e capaz de prover o atendimento às clientelas internas (servidores) e externa (população).

 
Um governante competente, necessariamente, precisa compor sua equipe com profissionais tecnicamente capacitados e comprometidos cívica e politicamente com os objetivos do governo.

Isto significa que os membros das equipes - de todos os órgãos de governo - devem estar submetidos a uma autoridade capaz de delegar, dar feedback e avaliar o desempenho do pessoal sob seu comando.

 Cabe ao gabinete do governante gerenciar o desempenho de todo o governo, para avaliar se os recursos estão sendo aplicados corretamente e se o atendimento à população está compatível com a missão da organização e  se está gerando satisfação ao cidadão.

 O combate a burocracia excessiva, gerada sobretudo por órgãos de controle, com cultura gerencial burocrática e reativa, precisa se tornar alvo de ação estratégica, por parte do governador.

É necessário priorizar a gestão interna, otimizando a aplicação dos recursos materiais e principalmente diminuindo  o tempo gasto na relação do servidor com seus pares e com o cidadão.

 
Essa melhoria terá impacto significativo no custo da máquina pública, no aumento da satisfação do cidadão, que demanda serviços públicos mais bem prestados e ensejará a diminuição do aparelhamento político fisiológico dos órgãos de governo.

 A diminuição da burocracia exigirá ações gerenciais de articulação entre  o executivo e os demais órgãos de controle e o Ministério Público, para definir linhas de ação  capazes de facilitar a gestão e não engessar ainda mais o desempenho do governo.

 Para tanto, é fundamental que a integração entre os órgãos de governança seja implementada com tecnologia de informação e comunicação de última geração e que os servidores sejam treinados e avaliados durante todo o período de governo.

  Um dos maiores problemas de governança está na alocação inadequada e fisiológica de pessoas não qualificadas e não comprometidas com os objetivos do governo - em áreas de atendimento ao público (o que é verificável em muitas áreas do governo).

 E na delegação mal feita a gestores, que – via de regra, desconhecem os objetivos do governo e tampouco têm preocupação com a satisfação do usuário dos serviços públicos.

Estes problemas gerenciais são basicamente decorrentes da falta de uma liderança e de estruturação de ações administrativas que cristalizem a vontade política do líder.

Explico: pouco adianta um líder carismático - que tenha influência sobre a máquina de governo, se esta não estiver preparada adequadamente para transformar seu carisma em ação, por meio de políticas públicas efetivas e eficazes.

 Geralmente os gabinetes civis dos governos agem como coordenadores das ações internas do governo, mas nem sempre produzem o resultado esperado, eventualmente porque a autoridade do chefe da casa civil nem sempre é aceita pelos demais membros das outras áreas de governo.

 E também porque a liderança precisa ser exercida na base, onde o cidadão se relaciona com o Estado. O líder precisa estar presente, se não é possível fisicamente, sua forma de governar deve expressar sua liderança.

 Os problemas de mal atendimento ao público decorre, em grande parte, da lógica de coalizão que é imposta aos governos para ter maioria no parlamento e outros compromissos fisiológicos do próprio governador.  E também da estabilidade de vários servidores que não tem interesse em trabalhar com competência e nem se subordinam à liderança da área, pois não são avaliados.

Essa forma de governo tem produzido muitos problemas de desempenho, prejuízos e insatisfação social. É hora de mudar.

A composição das áreas estratégicas do governo e daquelas que têm relação direta com o público, devem ser priorizadas e o governante deve estar atento aos seus desempenhos, pois elas produzirão reflexos positivos ou negativos na imagem do governo e consequentemente do governante.

 Os governantes, ao longo dos mandatos, tendem a priorizar obras que produzam supostamente mais visibilidade e popularidade ao chefe de governo, mas costumam deixar a descoberto áreas de grande impacto sobre a sociedade, como a segurança pública, a saúde, a mobilidade, a questão hídrica, o saneamento etc.

 Isto se constitui numa grave miopia estratégica, porque essas áreas se tiverem uma boa gestão e o governo souber usar as milionárias verbas publicitárias à sua disposição, poderá utilizá-las para informar e educar a população, por meio de campanhas educativas e não por intermédio do recurso rasteiro de ações publicitárias falaciosas; que fazem apenas proselitismo publicitário e não produzem efeito sob o comportamento da sociedade.

Um bom governante saberá priorizar o uso da verba publicitária para se relacionar com a sociedade e não para atender interesses econômicos, nem pagar dívidas de campanha.
Temos uma sociedade mais esclarecida, menos suscetível a ações populistas e demagógicas. Nossa população está cada vez mais descrente da ação dos políticos, cujas promessas não são cumpridas da forma que são feitas.

 
O uso correto da estrutura de comunicação necessariamente tem que ter conotação estratégica, e não ser apenas reativa e informativa.
Cabe à comunicação agir de forma a antecipar o debate, promovendo discussões e utilizando todos os recursos que a tecnologia de informação e comunicação e redes sociais variadas dispõem, para promover a interação entre governo e sociedade.

Vivemos uma nova etapa no processo político, no qual o cidadão está mais atento, mais crítico e tem uma forma de participação no processo ainda não totalmente decodificada pelos governantes.

Portanto, a área de comunicação social do governo não pode ser apenas de assessoria de imprensa e nem de cuidar só da imagem do governante.

Precisa aprofundar suas ações nas redes sociais, prospectar problemas, para antecipar a ação da necessária área de gestão de crises, que nem todo governo mantém, (outro equívoco gerencial).

 O gabinete de crise tem que ser permanente, porque governar significa, antes de tudo resolver problemas e enfrentar crises; uma vez que é necessário aplicar a lei (nem sempre justa, nem democrática) e atender demandas dos grupos de pressão, que são cada vez mais organizados e capazes de interferir nos processos decisórios. Estes têm grande poder de mobilização social, porque dominam bem o uso das redes sociais.

Síntese:

O governante deverá:

·         priorizar sua gestão de forma a minimizar o desperdício, o retrabalho e a insatisfação social;

·        compor suas equipes com líderes qualificados e comprometidos com os objetivos de seu governo. (sem cair nas armadilhas do fisiologismo, da política de coalização e nem em compromissos não republicanos).

 
·        implementar uma área específica, no seu gabinete, com autoridade para acompanhar o desempenho das demais áreas, com caráter eminentemente técnico e gerencial, para medir o desempenho, identificar problemas estruturais e entraves funcionais ( disputas internas, sabotagens, má vontade, incompetência etc), e propor soluções em tempos hábeis .

 

   A ação da comunicação social deverá ser ampliada, para fortalecer o relacionamento com a sociedade, por meio da ação das redes sociais e da prospecção de problemas, antes que se avolumem e tornem reativa a ação do poder público, que sempre fica na defensiva, em relação à pressão dos grupos de interesses.

     O  uso estratégico da milionária verba de publicidade deve ser contemplado, com foco em campanhas educativas.

Ao priorizar a gestão profissionalmente economizará recursos e tempo, além de diminuir a máquina, diminuindo gastos e facilitando a gestão de pessoas.

Essas são algumas das necessárias posturas de um governante para os tempos atuais, no País.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

CRISE INSTITUCIONAL E PRIVILÉGIOS

O embate entre procuradores e políticos e seus aliados no STF tem causado sérios prejuízos ao país. Isto compromete profundamente as investigações contra notórios e reincidentes corruptos que não só comandam a estrutura política nacional, como se articulam com setores criminosos da iniciativa privada. E esses, por sua vez têm laços estruturais com o Judiciário.
Alguns analistas alegam que essa crise institucional é boa para o país e para promover o aperfeiçoamento de nossas instituições, fortalecimento da democracia. Há quem discorde. E com razão. Pois quando se analisa a dinâmica desse conflito institucional, verifica-se com nitidez um jogo para manter privilégios e preservar interesses criminosos de setores  notoriamente corruptos, que se mantêm no poder há décadas.
Portanto, não há, de fato, o desenvolvimento institucional. Há, sim, um grave embate jurídico e político no qual quem mais fatura são os grandes escritórios de advocacia que orbitam interesses supremos. Para usar uma metáfora. E que utilizam de todos os artifícios e artimanhas jurídicas que o próprio sistema político produziu historicamente para preservar a manutenção de interesses dos poderosos.
O argumento de prisões preventivas alongadas, expresso pelo comandante jurídico desse processo de proteção aos criminosos, colocado já há algum tempo, informava que havia uma articulação poderosa a caminho para libertar condenados em primeira instância.
É sabido que o Supremo deverá prolongar o processo de análise e julgamento desses poderosos e bilionários corruptos. O STF tem suas razões e, mais, inegável sobrecarga de trabalho.
O que é inaceitável é a manutenção de privilégios de criminosos mais nocivos à sociedade e à economia nacionais, quando há milhares de presos comuns esperando, em situação de prisão provisória, em primeira condenação.
Numa democracia verdadeira, privilégios e deveres devem ser mantidos de forma equânime. E não desigual, como acontece por aqui.
Recentemente o ex presidente do STF, que presidiu o julgamento do Mensalão, irmão mais velho do Petrolão, mas filhos do mesmo pai e mesma mãe, Ayres Britto, afirmou que os criminosos políticos e seus aliados na iniciativa privada são muito mais nocivos e perigosos do que as grandes facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.
Causa espécie e até asco assistir esse espetáculo trágico de proteção a criminosos, em detrimento do interesse social, da moral, da ética e da preservação de valores cívicos e republicanos.
Infelizmente, quem poderia investigar e mudar o judiciário seria o Congresso, que está cada vez mais sem força e submisso a grupos que controlam os partidos com mão de ferro, impondo sua vontade ao chamado baixo clero. E nada mudará.
A reforma política deverá avançar mais rapidamente ainda, agora que chefões voltarão para suas mansões com tornozeleiras eletrônicas de última geração, leves e belas, como uma jóia. Receberão em casa cabelereiros e personal trainers, além de aproveitarem para usar privadas verdadeiras, ao invés do buraco no chão.
Usarão sua influência para aprovar, já para as próximas eleições, a lista fechada, que lhes garantirá a impunidade-imunidade; o fundo eleitoral, verba bilionária, que alimentará a gana dos controladores dos grandes partidos; a cláusula de barreira, para submeter os pequenos à vontade dos grandes.
E ainda, muito provavelmente, um redesenho partidário, para fugir de multas milionárias que a justiça eleitoral tende a aplicar, como já fizera com o PP.
O argumento de que há muitos partidos, sem identidade programática é falso, pois nenhum tem programa verdadeiramente ideológico. A justificativa é o controle do mercado eleitoral utilizando dinheiro público, já que a grande financiadora, que nunca gastou um centavo de seu caixa próprio, o maior partido do país , o da Odebrecht, está sem condições de comprar mandatos.
Teremos muitas decepções ainda, mas o Brasil continua entorpecido, não se sabe até quando!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

REFORMAS - AVANÇOS E RETROCESSOS

O processo político nacional tem se caracterizado por crises crônicas, com altos e baixos, muitas idas e vindas, mas sem resultados práticos e nada de objetivo.

São muitas questões que estão sendo debatidas, com intensidade e interesse variados. Como a reforma previdenciária, a reforma política e a reforma tributária, além de outros temas menos relevantes para a sociedade, mas importante para os parlamentares, como a discussão sobre o foro privilegiado, e sobre o abuso de autoridade.

Temas relevantes como a reforma da previdência marcaram muitas discussões na comissão especial. Não houve consenso.  A proposta do governo, além de ser dura e até radical, penaliza o trabalhador comum, mas favorece corporações do setor público e os militares, principalmente.

Em política, as negociações, para serem bem sucedidas, têm que ser mais flexíveis e a lógica do ganha/perde precisa ser bem digerida: quem perde agora, sabe que pode ganhar lá na frente, e vice versa. Não é o que o governo está propondo. 

No senado, haverá, tudo indica, uma CPI da previdência, que dará palco e visibilidade a políticos de oposição à proposta e que podem se cacifar para se reelegerem em 2018.

Mantida essa forma de negociação, o governo não conseguirá aprovar sua proposta. O grande mérito dessa questão  foi a colocação do problema previdenciário em discussão com o parlamento e com a sociedade. Evidentemente,  a previdência social é fundamental para a paz social e a garantia da manutenção de direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores.

Mas enquanto não se gerar emprego, não será possível pensar na manutenção desse modelo previdenciário. O que significa que a estabilidade futura depende do crescimento econômico no presente.

 Como a economia não reage de forma suficiente para conter o desemprego, do ponto de vista estratégico, é inviável essa reforma. Necessária, mas inviável, nesse momento, com essas condições.

Haverá muito discussão. O debate tem seu mérito, trará à tona a realidade do sistema previdenciário brasileiro.  O governo argumenta que o sistema está em  estado pré-falimentar, outros setores alegam que é problema de gestão, que a previdência não está quebrada. Falta coragem política para fazer reformas estruturais, pelo jeito.

Espera-se  que propostas factíveis sejam apresentadas, analisadas com responsabilidade e decisões corretas sejam tomadas e implementadas, claro.


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